segunda-feira, 27 de junho de 2011

Você ainda está sozinha?

Esse não é um texto organizado através de pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nem tem uma linguagem "apropriada", jornalisticamente falando. Baseado nos bares, nas filas, nos elevadores, nas paradas de ônibus, nas praias e em todo e qualquer lugar que uma mulher possa frequentar.

"O que é você anda fazendo de errado menina? Está indo nos lugares certos, com as companhias certas, nas horas certas? O que você anda vestindo? Que sapatos são esses? Quer dizer que agora você está envolvida com política? O que é que você fez nesse cabelo?"


terça-feira, 21 de junho de 2011

A Onda Brega

Em festas populares a "música brega" já é febre há bastante tempo. Comunidades suburbanas fornecem todos os dias mais artistas ao mercado, assim como adeptos do ritmo. O que chama a atenção hoje, é que a classe média Recifense está entrando (com tudo) nessa onda que promete pegar.
O que costumeiramente se via em bairros como Casa Amarela e Mustardinha (subúrbio de Recife), já invadiu bairros como Espinheiro e Casa Forte. "Cocotas e Mauricinhos agora descem até o chão", diz Emanuelina Rocha, estudante de Publicidade, frequentadora de Shows de reggae que agora se rende ao gingado do brega. Me ligou uma amiga semana passada: "Meniiiina, vai ter Sheldon na Mercearia Amélia". Oi?
Há anos, grupos feministas fazem duras críticas às letras das músicas que "denigrem a imagem das mulheres", como por exemplo na música Te agarrar e Jogar na cama da banda Ritmo quente, que diz (na voz de um homem): "Ei amor, please, vire-se", que faz referência a uma posição sexual de submissão.
Já foi dito que brega não é cultura, que é massificação, dominação dos menos favorecidos. Mas vemos claramente (e falo como moradora de bairro pobre) que as comunidades que tem os 'seus' talentos reconhecidos, o tornam liderança. Exato, liderança! As mulheres que fazem parte das bandas, costumam ser arrimo de família e tem estórias de vida com muita luta em seus cotidianos. Além disso, muitas das músicas tratam de situações que envolvem machismo, preconceito e violência. "Me convidaram pra um brega, o difícil foi entrar. Um sujeito me empurrando, eu comecei logo a falar: Relaxa, eu vou entrar. Relaxa, desse jeito eu vou gozar", da banda Frutos do Amor, trata de um homem abusando de uma mulher em uma fila. "Se fudeu, levou um bale".
Sou fã de Chico Buarque, pela sua atuação política, pelo seu talento musical, mas me pergunto sempre que falo de machismo em músicas: Tem compositor mais machista que o Chico? Letras de músicas com Atrás da Porta e Eu te Amo me dizem que não. A diferença está no arranjo, a escolha de palavras e a delícia que a voz do carioca é. Mas essa é a minha opnião apenas. Apenas.
Compramos um CD de brega por R$2 reais com "Os 20 maiores sucessos do brega". Sem gravadora, sem empresários das estrelas, fica muito mais fácil atingir as comunidades pobres. "Eu dou não 20 conto pra ouvir aquelas música de playba não".
O brega relata o dia a dia da comunidade e faz com que as pessoas que ouvem se sintam mais perto. É como se fosse mais fácil ser fã do MC Metal que da Banda Mais Bonita da Cidade. (Oi?) Não passa um carrinho vendendo esse som aqui na Mustardinha (meu bairro).
Aí me vem uma galera dizendo: "Isso é falta de interesse, porque eu também moro em favela, mas procuro conhecer outras coisas, outras realidades". Boto fé. Eu nasci aqui, moro na mesma casa há 26 anos, mas a minha mãe ouvia Maria Betânia, meu pai era fã dos Beatles e eu cresci ouvindo esses sons. A menina que mora lá na esquina, que o pai dela trabalha o dia todo e bate na mãe dela e que deixa ela cuidando dos 3 irmãos, não tem paciência pra ouvir "eu quero uma casa no campo onde eu possa plantar muitos rocks rurais". Ela quer ouvir coisas práticas, rápidas e que tirem ela daquela situação.
Não quero dizer que é impossível, que os moradores de bairro pobre não podem ouvir Música Popular Brasileira, mesmo que ache que música popular brasileira, seja música que toque no Brasil e que de preferência, alcance as massas. Oras, tudo aquilo que atinge alguem de forma positiva, não é cultural? É a cultura daquela localidade e eu não me vejo no direito de chegar dizendo que o que eles tão ouvindo é ruim. Que direito eu tenho? (E até tento)
Entretanto, o mundo já passou por tantos preconceitos e tantas evoluções que eu não vejo como qualquer grupo interferir definitivamente em um outro. Eu posso sim apresentar outras possibilidades, mas respeitando o espaço, o desejo e acima de tudo, a cultura do outro.
No psy, no samba, na bossa, no reggae, no brega, porque "sei que tudo não é como a gente quer, mas estou falando de amor".

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Separações Simples

É noite de sexta e eu de fato estou sem muito assunto.
Pensei em falar sobre a postura da Presidenta da República, que depois de reunião com a bancada evangélica, anunciou a retirada das cartilhas e vídeos que discutem homofobia já entregues a professores que fariam ou não a opção de usa-los com alunos do 2° grau.
Eu podia inclusive fazer um paralelo com a aprovação do novo código florestal. Mas acho mesmo que não terei muitos leitores e os que passarem uma vista, não dirão nada. Eles me dizem sempre que eu sou louca de me preocupar com essas coisas. "Eita, que essa daí vai ser da Política", dizem os mais animados. Porra, se todo mundo que não estiver satisfeito com alguma coisa for ser dito "da Política", teremos vereadores esbarrando uns nos outros que eles nunca viram na vida. Enfim, não interessa!
Daí pensei em falar sobre homens que ficam de madrugada em páginas de bate-papo e acham que porque você "deu" pro irmão dele, pode lhe comer também. Eu nem devia estar usando esses termos. Caso algum homem se sinta incomodado com a forma que as mulheres usam hoje pra se dirigirem a certos homens, me desculpem, mas a culpa não é nossa. Nos pediram praticidade. Estou esperando ainda para esse ano um manual de como comportar-se para manter "seu" homem do "seu" lado. "Não emita gemidos acima do limite permitido (não sei qual é), não diga a ele que você está gostando e não goze por nada nesse mundo". Se você sair da linha, já era. Ah, mas se for namorada pode. Eles não falariam mal das namoradas né? Mas até alcançar essa incrível patente, finja!
Só que esse assunto não gera debate. Quem vai falar de sexo? Porque? Pra que? É melhor manter em segredo.
Então, eu resolvi falar de amor. Há tempos evito o assunto, pelos mesmos motivos que não me permitem falar de sexo ou Política hoje: Desinteresse. Entretanto, falar de amor não precisa ser interessante. Basta ser de verdade!
Eu só tenho um problema: Não sei mais do que se trata amar. Como faz?
Será que ainda pode acontecer um encontro inesperado na fila do cinema? Ele será um homem alto, de barba rala, sorriso aberto, abraço forte. Nós seremos os únicos na seção, pois ninguem mais gostou da ideia do filme. Sentaremos um do lado do outro pois são os melhores lugares na sala. Não daremos uma palavra. Ao fim do filme, iremos pra casa. Cada um pra sua.
E eu terei mais uma estória de amor pra contar. Pode ser assim?
Ou é necessário aquela dor, aquela melancolia com a separação dos corpos, a decepção em saber das almas nunca juntas, aqueles litros de lágrimas negras de máscaras para cílios?
Alguem me diga em vida, que o amor de cinema é possível.
E mais uma estória de amor. O próximo pode ser na padaria.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Como fazer para se destacar na Sociedade 'CULT' Recifense (parte 2)

"Cult que é cult" não se assume! Você já ouviu alguem dizer que é cult? #EuNunca! Por favor, se souber de algum caso, me informe.
Não ouse fazer a diferença nesse seleto grupo. Se um dia você disser que é cult, você deixa de ser cult. Pois "cult que é cult" prefere ser uma incógnita.
Aproveite o momento e vá no CinePE. Roupas com listras, cores vibrantes, xadrez e flanela acompanhados de uma sandália Crocs ou de um all star vermelho, cairão bem em você. Como se fosse despojado, mas, milimetricamente calculado.
Crie raiva do Big Brother Brasil. Fale mal. Critique a forma com a qual eles fazem exposição da classe feminina. Fale do exagero absurdo de bebidas alcoólicas nas festas, mas assista. Como você vai falar mal do que não vê? "Melhor fazer uma pesquisa". Quando questionado sobre como tem tantas informações a respeito do programa, diga que te mandaram no Facebook. Detalhe: Você não curtiu.
Seu gosto para música, cinema, teatro, dança, expressões artísticas em geral, percisa ser apuarado. Escute Chico Buarque. Fale do Tropicalismo. Diga que Maria Rita não se compara a mãe. E nunca, jamais, em tempo algum, permita que alguem próximo fale bem de Caetano Velozo. "Ele ficou tão 'americanizado' não acham?"
Viaje. A América Latina é a parada obrigatória. Você quer ver de perto outras Culturas. Mas não dê espaço para que lhe perguntem sobre a origem do Frevo.
Entretanto, nos meio das suas 'viagens', não pare para fazer uma análise de se você é ou não cult, mesmo que muitos dos relatos lembrem você. Outros não, não é? Porque "cult que é cult' não é o que dizem que ele é.
Ouça o que for, vista o que for, frequente qualquer lugar. Sempre haverá quem queira entender mais de você do que você mesmo. Vem então a vantagem da 'cultialidade': Você não dá ouvidos a eles.

sábado, 30 de abril de 2011

O que fazer para de destacar na Sociedade 'CULT' Recifense:


Faça Teatro, Cinema, Artes Plásticas, Dança Contemporânea. Use roupas com coisas que só você usa. Não que você goste, mas "O lance é ser original".
O cabelo das meninas tem que ser desarrumado, cortado em casa de preferência.
Frequente o Acre, vá ao BregaNaite, não perca as apresentações no MUDA, mesmo que você nem saiba do que se trata a apresentação. "O importante é conhecer gente nova".
Compre roupas na Período Fértil, que por sinal, é em Olinda.
Critique as pessoas que usam roupas de marca e se questionado sobre aquela sua bolsinha ADIDAS, diga que tava em promoção, na... "Como é mesmo aquela loja? Num compro lá bicho, aí nem sei".
As festas de música eletrônica, só em ambientes abertos. A ‘NOX’ é pra playboy e você gosta mesmo é da harmonia com a Natureza, mesmo que aquele barulho do caralho espante todos os bichos do local.
Tome cerveja. Não tem justificativa. É cerveja. Tipo, "eu sou da malandragem da noite".
Fume um, mas não deixe ninguém saber. 'Cult que é cult' é uma pessoa que só parece ser extravagante. Pelas roupas que usa, pelos lugares que vai. Mas, precisa ser discreto. Mesmo que esteja fumando Marllboro vermelho sentado em alguma parte do Iraque que esteja meio sem luz, usando roupas de bolinha azul, achando que não está sendo visto.
Faça terapia e tenha sempre a mão o telefone do seu médico pra indicar a alguém. 'Cult que é cult' faz muita pesquisa sobre os problemas da humanidade, mas quem resolve mesmo, é o terapeuta.
Liberdade de expressão é preciso, mas se contenha em não usar de sua profissão pra dar show ‘free’ no caminho até o carro que vai lhe dar carona.
Tenha sempre óculos escuros na bolsa. Não fale muito da sua vida, mesmo que toda sexta as pessoas lhe vejam louca no Central.
Tenha muitos contatos, mas poucas fotos nas suas redes sociais. Para atrair outros cult's é necessário um tanto de mistério.
Crie 'tags' originais no Twitter. Coisas do tipo: #AchoChique, #MuitoDigno, #VamoNessa.
Nunca ache que está sozinho, mesmo que esteja. Cult, está sempre acompanhado. Alguém da Cultura, do Jornalismo, do mercado de ações. Na verdade, alguém que dê respaldo a ele.
Ta bom! Eu vou ser processada não é? Tem advogado que quer porque quer ser Cult. Mas mesmo tendo tantas explicações pra tantas coisas, nem eles sabem afinal, o que é ser cult.
#AhVáSeFuderNéBrother!

domingo, 13 de março de 2011

Não adianta insistir. Sempre vai ter aquela coisa que você jura pra todos ao seu redor que é verdade, mas não convence. Eu me vi quase gritar: "Juro que passou". E até cheguei a dizer algo do tipo. As reações obtidas foram cabeças acenando em sinal de positividade, mas significando: "Ninguem te leva a sério".
Há tempos atrás, eu faria exatamente o que estou fazendo agora: Me explicando. Talvez pra que eu mesma entenda. O fato é que eu desisti disso.
Prefiro contar estórias. Gargalhar delas. Dividir elas.
Não precisa dizer mais muita coisa. Deixei de confiar em olhos. Mas os meus ainda falam a verdade, mesmo que só eu acredite nela. Verdades relativas, amores soltos, pequenos buracos, grandes missões...
Passamos por todas as etapas. Quero que dizer, passei por todas as etapas. (Não digo mais das etapas de ninguem) Entretanto, como a gente sabe que é a última etapa? Tem última etapa?
Eu ouvi 'violões' falarem que quando se faz essas perguntas, ainda vivem-se etapas.
Você já passou por alguma? Qual? Separação? Dor? Partida? Volta? Perda? Sorrisos? Gozo? Prazer? Pena?
Circulei por todas essas, mas se for perguntada como elas foram, não saberia responder. Foram não é? Forçar pra lembrar não é permitido.
Em resumo, fomos todos convencidos.
Me convenci de que sou fácil, adaptável, maleável.
Se convenceram de que sou fácil, adaptável, maleável.
Isso, (na minha vasta sabedoria) significa que fui eu quem resolveu todos os problemas. Minha paz liberta. Meu sorriso liberta. Meu abraço liberta. A mim e a eles.
De qualquer forma, não adianta insitir. Sempre vai ter aquela coisa que você jura pra todos ao seu redor que é verdade, mas não convence.
Eu tenho uma dica: Dê ouvidos aos seus olhos.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sobre a poeira que ficou.


Todos, e quando eu falo todos, são todos de verdade, (todos e todas antes que me cobrem uma linguagem não sexista) me falam que é preciso esquece-lo. Que ama-lo demais, é me amar de menos. Que é preciso saber a hora de parar. Mas, Parar o que? Não o procuro, não me faço presente, não me desdobro em mulheres diferentes pra provar a ele que eu posso ser "todas elas num só ser". Eu só o amo. Pra mim. Comigo.
Tudo bem. Eu entendo que pra alguns, é loucura. Mas ninguem nunca me explicou como mudar. Talvez por que nem eles mesmos saibam. Talvez por que não tenha uma explicação lógica, cheia de sentidos.

Ele teve uma atitude egoísta dia desses. Ele tem atitudes egoístas todos os dias. Por que eu entendo que a minha saudade faz mal a ele e ele não entende que a dele me faz mal. Eu tive uma atitude egoísta dia desses. Eu tenho atitudes egoístas todos os dias. Por que eu tava olhando no olho dele, com um eu amo você entalado e disse: Mas precisamos avaliar a conjuntura.

Hoje, tudo o que eu mais queria era ele do meu lado, ouvindo música que ele diz que é ruim, mas sem a minha presença, ele escuta. Assistindo jogos de amor em Las Vegas e rindo das mesmas piadas velhas. Deixando a toalha encharcada em cima da cama e ter ele atrás de mim de cara feia, reclamando que eu deixo tudo bagunçado. Indo dormir tarde, reclamando do ar-condicionado e do celular. Tendo ele me cobrindo como quem diz: cala a boca e dorme. E depois de toda essa encenação, ter os pés dele procurando os meus e ficar assim até de manhã, quando ele me puxava toda pra perto
E, não atendendo a nenhum dos meus desejos, tendo em vista que seríamos dois corpos estranhos amanhã, eu nada fiz.
Minto. Fiz sim: Revirei baús, fiz, refiz e desfiz mapas, sacudi livros cheios de poeira, passei panos nas estantes, tirei do lugar e colequei devolta fotografias em preto e branco, chorei, sorri, não fumei nenhum cigarro...

É muito difícil não ter mais o que tinhamos. É muito doído não sermos mais o que éramos. Mas eu tenho tentado todos os dias construir um outro "nós". Um que permita a felicidade dele em me ver feliz; Um que me faça poder ficar deitada no peito dele sem dar uma palavra (eu devia e podia ter feito isso mais vezes); Um que ninguem diga que é feio amar, que ache bonito um sentimento que permite crescer, andar junto, aprender, ensinar, dedicar, ser mais que qualquer pessoa, ser 'a' pessoa...
Quando ele colocava as mãos no rosto, a gente se transformava nesse "nós".

Todos (e todas) podem estar certos. Quem há de saber? Eu parei de questionar tem tempo. O que eu não paro de querer saber, (sem perguntar a todos e todas) é como pode o olho dele brilhar quando me fala de uma pizza com palmito?
Tem coisas que a gente guarda. Tem coisas que só a gente guarda, por que são nossas e de mais ninguem. Eu to guardando. (isso também tem tempo) Por que aquela estória de amores soltos pelo ar, está meio perdida. Tá comigo, tá pra mim.
E hoje, mesmo querendo todas as outras coisas, eu resolvi só escrever. Só colocar pra fora.
Pra ficar mais leve, pra limpar as estantes de dentro, pra fixar os retratos em preto e branco... E amanhã, se eu ainda quiser tudo o que eu quis hoje, eu terei de fazer as mesmas coisas. (A poeira, os baús, os mapas...) Por que sempre, não é todo dia.