Encontrei uma mulher sentada na
tampa de uma fossa, fumando cigarro filtro vermelho, meio bêbada, meio surda,
toda louca. Fui conversar com ela...
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
sábado, 10 de novembro de 2012
Acabou Sorrire.
Eu passei o dia falando e
pensando em trabalho. O dia trabalhando. Escrevendo, editando, divulgando.
Reclamando. De novo. Muito. Mais uma vez. Ganhei tecidos pra levar na
costureira e pedir pra ela fazer blusas de botão. Daquelas "de
trabalhar". De trabalhar. Especificamente. Tipo, professora.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Até parece.
Me deram várias possibilidades pra ele sempre me deixar esperando. Mas a mais lógica, tira toda e qualquer responsabilidade dele: eu faço ou não a opção de esperar.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Mar.
Quando eu tinha 10 anos, eu queria ser professora. As crianças onde eu morava, não curtiam muito a ideia de ir todos os dias na escola e eu achava o máximo saber de coisas que eles não sabiam. Hoje, eu entendo que eu não era melhor que eles em nada, porque eles sabiam de coisas que eu não sabia e eu nunca me importei em perguntar. Tive que aprender na prática. Tive que sentir a dor.
terça-feira, 17 de julho de 2012
"O amor é filme".
Assisti a um filme nacional
ontem. 'Não por acaso'. Na verdade, passei o olho, porque tava aqui, falando
com um monte de gente. Por ser um filme de amor, me motivei a ver, mas, por ser
só um filme, fui desistindo. A gente tende a desistir do amor, quando ele não
movimenta, não estimula.
A primeira transa do casal
protagonista (Rodrigo Santoro e Letícia Sabatella), se deu numa cena muito
bonita, com uma fotografia bonita, uma trilha
sonora bonita. Mas, foi só acabar a cena, eu distrai de novo. A gente tende a
distrair quando a música acaba. Não só nos filmes.
Alguns,
vendo aquela mesma cena, chamaram-na de primeira noite de amor e não de primeira
transa. Vai entender, não é.
Só
que daí, ela acordou na casa ele. Com a blusa dele. Usou o banheiro dele. Deu
de cara com "as coisas dele". Por que ele as tiraria das vistas, não
é? Ela, por sua vez, só pediu um café. Ele não deu atenção. Ela pediu de novo.
Ele não deu atenção, de novo. Ela foi embora. Sem gritar, sem deixar bilhetinhos
de despedida. Sem nem se despedir. Daí, ele se deu conta de que faltava o café,
foi na porta dela e deixou uma garrafa. A essas alturas, eu já tava grudada no
filme. Só que ele acabou. Ela se serviu do café, sentou perto da janela,
sorriu, tomou um gole e o filme acabou. Simples assim.
Amor
de filme ou de vida real tem algo bem parecido: vai acabar. E daí, a gente vai
acabar se distraindo de novo, como quando acaba a música.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Segurança. Segura a ânsia.
Estava me descolando da
Mustardinha (subúrbio de Recife). O relógio marcava por volta de 16h. Peguei o
ônibus, como de costume, na primeira parada após o terminal e estava com a
cabeça recostada no vidro. Duas paradas depois, em frente a uma loja de acessórios
de carro, dois jovens são abordados pela polícia. Dois homens, um em cada moto.
Quando ouvi a sirene, não me
preocupei com os que me chamariam de curiosa e coloquei a cabeça pra fora. Não
fui a única.
Não sei se há uma pesquisa sobre
isso, mas, dentro da comunidade, ninguém espera por dados comprovados, pra
dizer que: jovem, de cabelo em corte moicano, usando corrente de prata e
pilotando a famosa cinquentinha, é ladrão. Infelizmente, esteriótipos são
criados todos os dias e há os que aceitam sem muito questionamento. É como
dizer que mulher de roupa curta é puta, que tatuado é vagabundo e maconheiro é
ladrão. 'Ah, se eles soubessem a preguiça que dá depois de um baseado'.
Aqueles dois policiais foram
treinados assim. Pra coagir todos e quaisquer esteriótipo "nocivo à
sociedade". Eram homens grandes, daqueles que você tem medo até de olhar
duas vezes. Saculerajam os meninos. Mandaram colocar mão na cabeça. Testículos
apalpados. Não, não foi com o mínimo de educação. "Eita, os ovos dele
ficaram mexidos", disse o senhor sentado atrás de mim. Pediram documentos,
os dois apresentaram. Pediram pra abrir o compartimento da 'motoca' que fica
sob o banco. Abriram e lá, não havia nada. Pronto. Mandaram que eles
"saíssem saindo".
Pronto? Não vai pedir desculpas
pelo constrangimento causado? Baseado em que aqueles meninos foram abordados?
Foi o corte de cabelo? A cinquentinha?
Fui apenas espectadora, mas essas perguntas foram passando
na minha cabeça e foi me dando agonia de pensar que mais ninguém estivesse
inquieto ou inquieta como eu. Consegui organizar em 3 minutos, qual seria a
ação justa: suspeito. Vou esperar ele passar da frente da loja e fazer sinal
pra ele entre na rua. Tiro ele da Avenida, não o exponho e não tenho curiosos
pra atrapalhar o meu trabalho.
Agora, imaginem a abordagem: Boa
tarde, mãos na parede, por favor (é fato que o "suspeito" pode estar
armado), recebemos uma denúncia que o senhor está portando certa quantidade de
drogas e que estaria indo fazer uma entrega e por isso, eu preciso lhe revistar.
Terminada a revista: Muito obrigada por sua colaboração e espero que entenda
que estou fazendo o meu trabalho.
É, mas era o meu ideal. Nem tive
muito tempo mais para "sonhar". As motos e as sirenes já estavam em
outra direção. A cinquentinha também, levando para algum lugar, dois jovens que
podiam apenas estar indo à padaria e que foram abordados e constrangidos em uma
via pública e movimentada, dentro do lugar onde vivem e que agora, que podem estar
absolutamente revoltados.
Seguem as motos. Segue a cinquentinha.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Da cor deles.
Nem tudo tem que ter sentido. Nem tudo merece explicação. Nem tudo precisa ser lógico. Toda paixão é avassaladora. São as quatro afirmações que me cercaram esses dias (de tempo louco em Recife. Sol e chuva. Calor e frio). Mas uma delas, a que mais se fez presente, ainda me intriga. Nem tudo merece explicação. Tudo bem, posso até concordar. Mas, que há explicação, há.
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