sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Amor de Prateleira.



Por que motivos teimam em achar que amor vende em supermercado? Escuto algumas pessoas dizerem: “Calma... Depois você acha outro amor”. Não estou nervosa. Mas amor não é biscoito. Não ta na prateleira, na promoção. “Leve um pague dois”
Amor (aos que não lembram) é aquele sentimento puro que poucos conseguem sentir, e ao mesmo tempo, todos dizem que sentem. A gente tem é que sentir se as pessoas sentem. E nem me diga que não dá. Dá sim. Respire fundo, feche os olhos e olhe pra dentro. Se a resposta estiver dentro, você certamente a verá.
E lá vem mais um dizendo que logo eu acho outro amor. Por Deus... Qual o julgamento que essas pessoas fazem de amor hein?
Tudo bem que cada um sente de um jeito. Mas... Na minha cabeça, amor é amor. Daqueles que matam que arrebatam que levam pra longe, que fazem chorar de saudade, que fazem querer ir morar do outro lado do mundo só pra não ter que ver a pessoa que dias atrás fazia planos com você e agora não os faz mais.
Certo, certo... Amanhã essa dor passa. Mas hoje? Nem venham me dizer que “eu já amei assim, sei como é”. Ninguém amou assim. Quem é que sabe do amor do outro?
Pois falem o que quiserem. Afinal, se dizem que já amaram (por mais que não entre na minha cabeça que amor seja gripe), devem saber do que estão falando não é? Mas o meu amor não fica na prateleira do supermercado. Não vende. Logo, não tem outro.
Escutei algumas teorias nos últimos tempos. Coisas do tipo: “Claro que o amor permanece; mas é amor de amigo”. Chego a dar gargalhadas quanto a isso. Pois, o meu amor sempre foi de amigo. Fiquei até com uma dúvida muito séria agora: quando a gente ama, ama todas as partes não é?
Sem mais perguntas que não se pode responder...
O meu amor é em nada pretensioso e não quer de forma alguma ser amor maior que outros amores. O meu amor está nesse momento, simplesmente amando. (Foi o que ele sempre fez). E é certo que ele ficará aqui. (dentro, que é onde tudo é mais visível).
É complicado pra um monte de gente entender que existe esse tipo de amor, aos milhares por aí. Poucas pessoas falam dele. Poucas pessoas querem sentir ele assim. Ainda (tenho fé que isso muda) não é permitido amar sem pretensões. Amar por amar. Ao contrário do que pensam isso não tem nada haver como amar sem ser amado. Tem haver com amar e se permitir amar, como tiver que ser.
“Passou” um homem ‘por aqui’ se dizendo livre. E eu o amei desse jeito aí: toda. E ele me amou desse jeito aí: todo. Só que tem um monte de por quês que a gente não entende. Ou que a gente fecha os olhos pra não entender. Eu não entendi o amor todo. Ele não entendeu o amor todo. E por esse motivo, ele “passou”. Porém, enquanto “esteve”, ele foi o mais presente, mesmo ausente. Ele foi o maior sorriso, mesmo triste. E modificou de inúmeras maneiras, as formas que eu tinha de amar.
Não me adeqüei à forma dele. Á isso, a maioria das pessoas dá o nome de fim. Eu chamo de começo, de tentar mais uma vez. E lá me vem os pensamentos pequenos: “E você vai se adequar?” Em que importa? Qual a diferença de quem cede a quem? Aprendi que o que importa nessa vida (louca vida) é viver.
Você quer mais pensamentos pequenos? Recebo deles aos montes. “Mas você ama de graça”. Impossível. Esse tipo de amor não existe. Todo amor quer alguma coisa. O que ‘eles’ não enxergam, é que não tem que ser necessariamente ficar junto.
Amor pede outras coisas. Pede distância. Pede mandar ir pro inferno. Pede dizer que nunca mais quer ver...
E talvez (dessa parte eu não sei ainda) não peça pra voltar. Peça pra ficar lá... Longe. Tem amor que fica mais puro se fica longe. A gente aprende a observar e manter ele bonito.
Nesse amor, faltam algumas coisas. É aí que a gente vive outras estórias. Toque, carinho, sexo. Não sou hipócrita a ponto de dizer que vou enfiar minha cabeça no forno aceso. Vida continua... Sempre continua.
Entendi (e olhe que custou) que outras “pessoas” sempre vêm. A gente sempre é encontrada. Não adianta nem se esconder em buracos fundos. Você tem a opção de estender a mão ou não. “A minha está estendida”.
Só não espere que eu estenda a mão no supermercado, na prateleira de amores (biscoitos). Lá não tem o ‘meu amor’. Aquele que eu construi. E lá vem novamente: “Você constrói outro”.
Só tenho uma coisa a dizer... Eu tenho uma casa pronta. Com alicerces fortes. Uma falha ou outra no reboco, umas goteiras... E por isso, eu vou me mudar. Ficarei lá, no novo lugar, até essa reforma acabar. (tendo em vista que talvez eu não veja a obra concluída). Mas não construo mais casa nenhuma. Reformarei a minha.
E mais pensamentos alheios, sobre o meu pensamento: “Que menina pra pensar pequeno...” A eles não posso dizer muita coisa...
Talvez amanhã eu não ame mais. Mas hoje eu amo pra sempre. E nada de promoções.

Recife; 15 de janeiro de 2009
Bárbara Vasconcelos.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Mulheres e Comunicação.



“Uma expressão de conhecimento de gênero”

Então somos todas comunicadoras. Independente de estudantes ou não de comunicação social.
Informamos através de dados estatísticos que cada vez mais somos arrimo* de família; dividimos com a população nacional/mundial nosso interesse de ocupar o mercado de trabalho, como nossas qualificações nos permitem e asseguram; Avisamos que não seremos mais exploradas sexualmente e/ou humilhado-diminuídas moralmente, seja dentro de nossas casas, seja em nosso ambiente de trabalho.
O diferenciamento que se deve ser exigido, diz respeito à qualidade e veracidade de informações sobre dados feministas e o acesso a essas informações.
Temos como dado estatístico, que mesmo depois de dois anos da criação da Lei Maria da Penha, apenas 2% dos agressores sofrem algum tipo de pena. Primeira pergunta: por que a lei não se cumpre?
Em conversa com uma moradora do Alto José do Pinho (Recife/PE), recebi a informação de que hoje, muito mais mulheres são assassinadas por seus “companheiros” e a razão dada é: “mortas, as mulheres não apresentam queixas” (dito assim, com essas palavras mesmo). Em outra conversa (essa ouvida em um diálogo feito por dois homens, dentro de um transporte público da mesma cidade), ouvi que: “Agora bater não é mais a saída, por que se o homem ‘dá uma tapa’ é preso e tido como covarde. Se ele mata, ele ‘tem a moral’. – Ele matou por que ela era safada”. (Dito assim, com essas palavras mesmo)
Segunda pergunta: esses homens e mulheres conhecem a Lei Maria da Penha?
Terceira pergunta: a Lei assegura que o estado garanta a segurança dessas mulheres, depois da queixa prestada?
Queremos essas informações e temos direito a elas. Como contribuintes. Como telespectadoras.
Quarta pergunta: se os meios de comunicação não servem para comunicar, pra que eles servem?
Não queremos mais seriados adolescentes que ensinem (ou tenham tal pretensão) qual a roupa mais legal para esse verão. Queremos campanhas veiculadas em meios de comunicação que atinjam todas as classes sociais, sobre o uso de métodos contraceptivos. Não queremos mais campanhas publicitárias dizendo que “você PRECISA de um tempo na sua vida pra ser mais bonita”. Queremos que os meios de comunicação sejam eficientes no combates as opressões de gênero, de raça, de classe social.
Quinta pergunta: esse texto, construído por uma mulher, estudante de jornalismo, no 1° período, seria veiculado em alguma ‘dita’ grande empresa de comunicação, mesmo tento informações para a sociedade como um todo?
Você pergunta. Você responde.
Então... Somos todas comunicadoras

sexta-feira, 29 de maio de 2009

poRque não é perMitido paraR.


Te perguntaram os seus motivos? Te disseram que não vale a pena? Te encheram os ouvidos com frases como: Daqui a alguns anos, estará tudo igual...?
E você ainda assim, permanecerá lendo esse texto até o fim?
É isso. "Então somos companheiros".
Não paramos no meio do caminho, nem quando nos põem barreiras gigantes na estrada.
Não damos meia volta, quando não vemos essa barreira retirada. Nós a retiramos.
É pesada? Chama mais gente. Ainda pesada? Empurramos ela até o acostamento.
Mas "Não paramos na pista".
Sim. Fraquejamos algumas vezes. Essa luta não é feita somente de nãos e nem somos nós, senhores da verdade.
Mas seguimos.
Quando nos prometem um congresso e o que vemos é uma eleição, seguimos.
Quando montam uma comissão de organização que só se reúne uma vez pra dizer que existe e outra pra fazer um credenciamento, seguimos.
Nos chamam de sonhadores. Até gosto do termo.
Mas prefiro que nos chamem de lutadores, modificadores de uma sociedade em crescimento. Alicerce da construção de um mundo mais justo, onde não haverá cidadão sem direito a educação. "Esses termos me soam melhor".
Mas a quem não goste, podem nos chamar estudantes.
O nosso objetivo é que sejamos vistos como o que realmente somos: A BANDEIRA REVOLUCIONÁRIA DESTE PAÍS. E não mais um grupo interessado em fazer do Movimento Estudantil, trampolin político.
Está em nossas mãos a responsabilidade.
Te perguntaram os seus motivos? Te disseram que não vale a pena? Te encheram os ouvidos com frases como: Daqui a alguns anos, estará tudo igual...?
E você ainda assim, permanecerá lendo esse texto até o fim?
É isso. "Então somos companheiros".

domingo, 3 de maio de 2009

Não quero Saber...

Vivemos entre os cacos do que alguem deixa.
"Raspas e restos nos interessam?
Me vi dizendo hoje, quando perguntada sobre como andava a minha vida, que música salva tudo. Música, cigarro e café.
Depois me peguei pensando que faltava alguma coisa:
Logo cheguei a seguinte conclusão:
'Música salva tudo. Musica, cigarro, café e mentira".
Todos precisamos delas. De uma boa mentira. De algo que engane; que esconda; que omita.
Já tinha feito há algum tempo, a avaliação de que mentiras não existem, que o que existem são duas os mais verdades.
Me refiro agora, à aquelas mentiras que queremos ouvir.
Mentiras do tipo: "Eu estava no shoping". [cheirando a vinho?]
"Senti sua falta". [chegando em casa ás 7h da manhã?]
Tem aquelas coisas que você finge que não vê. E não me diga que você quer saber tudo, absolutamente tudo.
Você não quer.
Achei que eu quizesse. Achei até hoje.
Mas olhando pro lado agora, aceito que não.
Não quero acorda-lo e indaga-lo sobre nada.
Não quero saber de nenhum detalhe, nenhuma história de por ques... Sempre acredito nelas. E por preferir não mais crer, prefiro hoje, não saber.
Acomodação?
Talvez.
Mas hoje, eu darei o nome de falta de amor.
Ficaria mais triste há um tempo atrás com o desperdício tão deslavado desse bem tão precioso.
Hoje não. Hoje eu prefiro não saber. Não querer opniões, não querer explicações.
É, sei que é essa a maior mentira. Aquela que contamos pra nós mesmos. Mas hoje, só hoje, prefiro não saber.
Prefiro crer que tudo se salva com música, cigarro, café e mentiras.
O problema é que:
Se eu ouvir música ele acorda.
Não tem mais cigarros.
Estou com preguiça de fazer o café.
E as mentiras... aH... Prefiro não saber.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Gritando a Violência contra as Mulheres.




Sofremos violências diárias em todos os setores da sociedade, e agora surgem pesquisas informando: “MULHERES SÃO NÚMERO SIGNIFICATIVO EM REPRESENTAÇÕES CRIMINAIS”. Nas entrelinhas: ”MULHERES AGORA SÃO VIOLENTAS”. E o termo ‘violentada’ é cada vez menos usado. Como se não bastasse o peso da opressão histórica, somos comparadas -e equiparadas- aos homens em relação à violência latente dos nossos dias.

Escutamos ainda coisas do tipo: ‘Vocês não batalharam tanto por direitos iguais?’ Não se espantem. Fazem mesmo essa pergunta. Numa avaliação plural, entendemos que mesmo depois de tanta luta, somos violentadas todos os dias, se quando ocupamos os mesmos cargos que homens, tendo a mesma formação profissional, recebemos salários inferiores. Se quando no espaço acadêmico somos aliciadas e/ou constrangidas por professores e colegas. Se quando engravidam, as jovens se vêem sozinhas com crianças nos braços, e nega-se qualquer tipo de assistência estudantil. Se cada vez mais as mulheres estudantes são molestadas e estupradas nos campi universitários, ou a caminho de casa, tarde da noite, voltando de suas respectivas aulas. Não sofremos nós, todo esse tipo de violência? Mas estamos aqui. Soltando as vozes. Fazendo barulho. Gritando alto.

Gritamos que violência contra a mulher não fica no “subir o morro” falando de planejamento familiar para logo depois estarmos cobertas de críticas por defendermos a LEGALIZAÇÃO DO ABORTO. Mais que o aborto, o que mata é a hipocrisia. Lutamos pelo direito à informação, pelo direito pleno a responsabilidade pelo nosso corpo.

O índice de criminalidade cresce de maneira proporcional a esquizofrenia que a sociedade produz. E o que podemos nós fazer? Gritar que estamos aqui! Que queremos atitudes, e que lutaremos por elas!


Bárbara Vasconcelos e Roberta Barcellos.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Um resgate de heréges.

Somos todos perdidos.
Vivemos em um mundo de ir e vir constante. E a quem podemos fazer queixas? Caso isso lhe incomode, claro.
Será que a gente pode colocar nas pequenas causas, destino traidor?
Não. Não podemos. Logo... Vamos seguindo os acontecimentos.
O que acontece agora é que não posso estar cega. Eu não posso ver as coisas nas quais eu confio, serem derrubadas como muros que incomodam. Estou sendo levada e o caminho tem me agradado bastante. Até por que eu já o conhecia. Mas sabe quando uma coisa velha tem cheiro de coisa nova?
Novas formas de chegar onde queremos.
Novas maneiras de olhar para o rosto das pessoas.
É, não tem mesmo como colocar nas pequenas causas destino traidor.
O que a gente tem que fazer é seguir o sangue. É deixar correr. É correr atrás.
É pintar o rosto. É ensaiar palvras de ordem.
Sempre terá o que diga que é uma luta em vão. Com esses aprendi a não me preocupar. Eles sempre nos verão com bandeiras levantadas e um dia dirão:
"Será, que com tanta insistência, eles não tenham mesmo razão?"
Meus amigos, é aquela hora do tudo ou do tudo.
Apito numa mão, bandeira na outra. Por que somos todos perdidos mesmo. E isso não se nega.
Nesse mundo que estou vendo, eu não me acho. Você se acha? Se a resposta for não, faça alguma coisa pra se achar.
Que tal mudar o mundo?
Ah... Seu vizinho já te falou que não dá?
Pergunta a ele se ele não tentou pouco.
Por que até eu conseguir, eu terei tentado pouco.
Somos todos perdidos...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Um mundo de sozinhos.


E vou eu começando a escrever ás 3:00h da manhã. Como se houvesse hora pra colocar pra fora o que preso está.
Tenho me sentindo meio sem rumo e me fazendo perguntas que geralmente calamos. Preferimos abafar.
Porque eu não as abafo? Porque as quero fazer?
Daí comecei a pensar que talvez esteja eu no mundo errado. Que nesse mundo aqui não me cabe. Por que se eu for falar dos meus medos com as pessoas (normais) vão querer me internar, me amarrar numa camisa de força. E seguindo isso, eu vou acumulando cada dia mais perguntas.
Sexualidade se discute?
Toda verdade é relativa?
Certo é certo e errado é errado?
O mundo é o não é um moinho que vai triturar meus sonhos tão mesquinhos e reduzir as ilusões a pó?
E todas as vezes em que ouso fazer qualquer desses questionamentos, vou observando que o mundo está cada vez mais individualista. Pois as respostas sempre são:
A sexualidade é minha e eu a divido com quem eu quiser.
O que é verdade pra você pode não ser pra mim.
O que é errado pra você pode não ser pra mim.
Não quero dizer com isto que o mundo acabará. Mas as vezes tenho medo que formemos um "mundo de sozinhos".
Singularidade é símbolo da nossa geração. Não devemos nada a ninguem. Podemos tudo. Isso é de fato a evolução?
E a cada segundo mais perguntas sem respostas que me convençam. Me sinto como se estivesse na feira livre das informações. E tem tanta variedade que eu "não sei o que levar".
É a torre de Babel do novo milênio. É a guerra tecnológica onde todos podem sempre mais que alguem. E fico eu, pobre mortal que não quero ser melhor que ninguem, no meio da avalanche. Das gotas de palavras que não acabam. Não acabam.
Pode. Não pode. Faça. Não faça. Cresça. Não obedeça padrões. Não case na Igreja. Não batize seu filho. Não se encaixe em um mundo artificial...
E se for a minha grande vontade? A minha função. O meu dever.
Em cima da torre (de babel) tem sempre alguem gritando: você pode mais.
E eu fico daqui de baixo respondendo: Mas eu só quero isso.
Pena. Ele, ou ela, (não sei nem se sexualidade existe) não me ouve. De baixo é complicado gritar. Aí me vejo obrigada a ir subindo.
O problema é chegar lá em cima e se perguntar: "O que é que eu to fazendo aqui?"
E sempre terá alguem cheio de teoria pra explicar as razões. Mas... como é que ele, ou ela, (não sei nem se sexualidade existe) sabe?
Toda verdade é relativa?